quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Meu, meu, meu, meu, meu

Amor, amor, amooooooor. Não imagino viver sem tê-lo. É a única coisa que dá um sentido imenso para tudo que penso, construo e vivo. Meu grande pacote da felicidade é ter uma casa, um cachorro grande chamado Garotão, meus filhos, meu amor, minha penteadeira, minha parede roxa, meus livros aos montes, minhas roupas penduradas por cores e manga, minha geladeira com pizzas da Sadia, minhas despensa com cervejas escondidas no fundo, minha janela voltada para algo verde, um sininho pendurado e ecoando boas sonoplastias, plantas, plantas, plantas, flores, flores, flores, meus lençóis brancos, minhas bolsas atreladas umas nas outras, minha tv de 14 polegadas antiga, minha torre Eiffel preta e branca na parede, meus copos coloridos, meu relógio dourado, minhas almofadas com cores cítricas, meu perfume com cheiro amadeirado, meu roupão, meu espelho com moldura branca, meus móveis antigos e bem desenhados rusticamente, meus anéis de dois dedos, um sorriso lindo e branco, meu abajur gordinho e cheio de pinduricarios, meus sutiãs com bojo, minhas cortinas de renda, meu sofá macio, minha cadeira de balanço, meus porta-retratos, minhas músicas tocando baixinho, cheiro de comida pronta, meus dois travesseiros e alguém para dizer que isso tudo faz sentido junto. Minha futura vida, meu futuro marido, meus futuros filhos, meus futuros amores, meu futuro destino. 




quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Sou um grande e mudo hiato.

Quarta-feira. Chegamos ao meio do caminho, ao equilíbrio da semana. Amanhã, quando eu acordar sonolenta e um tanto indisposta, a quinta vai reinar e logo depois nasce a narcisista sexta. Hoje foi dia de Bob's Picanha e tive um almoço só e tonta. A solidão é algo paradoxal para mim também. Ao mesmo tempo que amo está em minha companhia, ficar indecisa com as múltiplas escolhas de caminhos e possibilidades, eu odeio a sensação de estar tão solta. Quando eu era adolescente vivia cercadas de pessoas e fotos com as mesmas. Tinha mil festas e bebia em altas companhias. Como a vida adulta nos faz transcender, não é? Agora se  estou vivente em uma sociedade, conto as pessoas nas minhas duas mãos. Sou muito mais seletiva e um tanto enfadonha. Estou elencando esses traços para minha vida faz tempo. Mas puxando lá do baú da memória , sabe que sempre fui sozinha? Quando criança, minha mãe me protegia da rua. Eu brincava sempre no meu quarto. Desenhava, escrevia, tudo sempre só, não aceitava nem a companhia das bonecas. Lembro que depois que sonhei que elas me perseguiam em um sonho, atrelei todas em um saco e me livrei. Até a Barbie Ginástica que tanto amava. Confesso que nunca senti saudades dela. Meus melhores amigos sempre foram: papéis e canetas. Realmente fui uma criança muito estranha, sempre achei que estava mais protegida no meu quarto. Mas ao mesmo tempo que sentia isso queria romper fronteiras e pegar onda ou escalar o monte Everest. Meu nome é ambiguidade e hipérbole. 








Ulisses e Lóri: NATUREZA

Caminhei passos lentos com certa respiração ofegante. Pensei com meus botões: -  Deus, tem certeza que ainda é terça? Porque pesa com se fosse uma sexta? Passei o fim de semana entregue aos lençóis, dormi o sono dos justos. E parece que quanto mais durmo, mais quero dormir. Andei fazendo alguns encontros nos meus sonhos. Algumas coisas vão permanecer para sempre lá, outras acho que num futuro próximo se realizam. Às vezes tenho uma espécie de sexto sentido, sinto que algo vai acontecer, não sei quando nem como, mas alguma coisa fala alto. Porém, partindo do meu princípio paradoxal, algumas não tenho a menor certeza e venho no ônibus alugando os bons ouvidos da minha amiga. Repito umas dez mil vezes: Será que ele me liga?  Será? Será? - Obrigada por me ouvir, imagino o quão enfadonho deve ser te fazer ser tão redundante. Nós que conversamos tanto sobre signos e ascendente e lua e la la la, entendemos bem o que é uma libriana com ascendente em leão. Um tanto insegura e pedindo atenção. Às vezes penso o quão pequeno é o mundo para mim, me sufoco e tusso palavras aos ventos curtos. Ultimamente, ando catando coisas no passado para tentar remoer, tirar algo viscoso dos bagaços. E isso porque tenho pressa do novo. Essa palavra:  - novo. Novo? Novo! Nooo - vooo. Causa algo em você? Essa palavra é como eu, pode decepcionar, pode causar saudades do velho, pode ser estimulante, pode causar medo, insônia... por fim depende. Novo, pode ser duas metades da maçã. Cada parte igual, mas em sentidos opostos. Ela me remete à algo que vai causar abalos ou arrependimentos. Na verdade, o novo se encaixa em tudo. Está presente nas ondas do mar, que nunca são iguais as outras. Está na chuva, que nunca chove exatamente 500 milhões de gotículas da água. Acho que ando um pouco triste e por isso as palavras me invadem agora. Porque só na dor temos tempo para olhar para nós. Que Deus me dê dias assim, quero levar o máximo de conhecimento da vida. Mas uma sabedoria maior que quero é de mim mesma. Quero me conhecer, te conhecer, quero entender a coisa humana. Como andei lendo num livro elegi como um bom presente a alguém: "Aí estava o mar, a mais ininteligível das existências não-humanas. E ali estava a mulher, de pé, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fizera um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornara-se o mais ininteligível dos seres onde circulava sangue. Ela e o mar."
Linda citação da Lispector. Me causa arrepios, e para dizer a verdade, esse livro  - Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres - me causou febres verídicas. Ulisses e Lóri. Ele tentando ensinar vida para ela. Ela tentando não cair no abismo.


"De Ulisses ela aprendera a ter coragem de ter fé – muita coragem, fé em quê? Na própria fé, que a fé pode ser um grande susto, pode significar cair no abismo, Lóri tinha medo de cair no abismo e segurava-se numa das mãos de Ulisses enquanto a outra mão de Ulisses empurrava-a para o abismo - em breve ela teria que soltar a mão menos forte do que a que a empurrava, e cair, a vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre. A mais premente necessidade de um ser humano era tornar-se um ser Humano."










domingo, 26 de agosto de 2012

A Máquina de Ser

O mundo moderno é muito angustiante. A sensação da falta de tempo e essa solidão humana sempre passam por minha mente. A semana já começa a correr a partir de amanhã, e me pego pensando: o que fiz esse fim de semana, meu Deus?  - Me entreguei a cama, aos lençóis que cheiravam a um bom amaciante e ao branco. AHH a cor branca! Quanta paz me traz! Quando eu puder ter minha casa, ela vai ser por inteiro branca. Uma velha amiga da graduação esteve na minha casa esse domingo, - para falar a verdade ainda está aqui  - veio me pedir ajuda para desenvolver um ante-projeto para a monografia. Nossa! O quanto feliz fiquei ao adolescer minhas ideias em cima de palavras. E não é que ela escolheu um tema que ando vivendo e tentando digerir ultimamente. "A Máquina de Ser" do João Gilberto Noll - ao ler esse livro há algum anos  atrás, lembro bem que ele me causou algo muito ruim, ele me desordenou, me arrancou a alegria e me deu uma boa dose de tristeza e senso de realidade. Logo eu que adoro viver nos sonhos, não é? E terminei de lê-lo e até desenvolvi um trabalho sobre ele. “A Máquina de Ser” do João Gilberto Noll. Trazendo um sentimento de angústia e inquietude nos leitores, Noll coloca no cenário, personagens sem nomes e sem histórias completas. A maioria dos textos quase sempre termina com reticências e pontos de interrogação, nos deixando à margem da resposta. Nada é uma afirmativa, tudo é uma hipótese. Seres humanos são levados por contextos efêmeros e não firmam certezas – o tempo muda com a velocidade da luz -, causando assim várias possibilidades de “ser”. Temos um mundo engolido por tecnologias, onde tudo é muito rápido, desde comidas que ficam prontas em três minutos a cursos de línguas em seis meses. Publicidades tentam ao tempo todo nos convencer sobre algo e logo depois um novo produto é lançado e já nos perdemos sobre as certezas. O mundo está cheio de holofotes e não sabemos para onde olhar, como olhar e não olhamos para nós mesmos. Estamos em busca de uma identidade, a qual não encontramos frente ao fragmentário do mundo. O homem e a máquina, palavras paradoxais que na modernidade já andam se misturando.  A busca abrupta pelo progresso transformou o homem em escravo da máquina até ela ocupar quase, em definitivo e imperceptivelmente, todos os seus espaços. “Era só acionar a máquina de ser, que tinha no meu corpo um intérprete.” – o homem como máquina, a máquina de ser que não pode ser “governada” através das relações humanas.
Pois é, eis que Noll me fez reavaliar o mundo? O que mais quero do mundo é segurança e amor. Exatemente as essências que andamos perdendo com a modernidade. 










♥


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Algo que desse liga

Estava à procura de algo ... e ainda não captei exatamente o que quero. Às vezes é mais simplificador saber o que nós não queremos do que ter a certeza plena de algo. Eu não busco com fidúcia nada e a vida não oferece nada de muito concreto, nós humanos que criamos esse conceito. O concreto é como a matemática, dura, fechada e lógica. Eu sempre preferi viver minhas coisas disparadas, livres e poéticas. Ainda tento viver, mesmo que um tanto sozinha, em meio ao mundo tãããão ocupado e estupefato. Talvez, e só talvez, eu ache que escrevendo crio um mundo meu e sinta que tenho o poder sobre algo: palavras. 
Posso escrever sem fim, posso terminar agora, posso colocar vírgulas, dizer mentiras, exacerbar em acontecimentos, contar o que eu quero. AHH se não fosse esse funesto tempo! Eu poderia me dedicar mais tantas coisas. Eu ... eu vivo tanto acompanhada agora que pensar está difícil. Preciso de mais tempo só para digerir o que vivo. 






segunda-feira, 20 de agosto de 2012

À espera

Por onde começar? AHHH esse tempo. Como anda cruel! Não consigo mais captá-lo, datá-lo e analisá-lo. Anda assim: passa, passa, passa. Igual ao trem do Manuel Bandeira: "Oô..Foge, bicho Foge, povo Passa ponte Passa poste Passa pato Passa boi Passa boiada Passa galho..." Tantas coisas... tantas coisas se colocaram em um cenário. Me perdi em um mar de informações e misto de sentimentos. Continuo afirmando que vivo muito em muitas horas. Às vezes quando tento lembrar dessa manhã tenho a sensação que ela já se apresentou há muito tempo atrás. Esse tempo! Anda me pregando peças.
Fiquei muitas horas esse último sábado no aeroporto do Galeão, à espera de um voo para um lugar longínquo. Não era eu que ia criar asas e flutuar em busca de novas terras, e sim uma pessoa muito especial. 
Alguém que fez meus dias serem mais corridos e regados a sorrisos que qualquer um. Alguém que tinha um sotaque só dele e pensamentos só também. Alguém que sentava em um bar e conquistava todos a sua volta. Alguém que me chamou atenção, que marcou e que agradeço por ter cruzado meu caminho em meios a tantos caminhos por ai. Alguém que se tornou um quem e agora é. 
 Perdi um tanto minhas palavras, e quando as perco fico inerte. Elas sempre voltam com o tempo, vamos esperá-las que voltam cheias de charme.










♥

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Feroz Fellini fala por mim


Fiz uma viagem há algum tempo atrás. Estava à procura de conhecimento e de uma abscissa desse mundo, então movida por isso, me entreguei à estrada rumo a Paraty e sua feira literária. Em uma das palestras meus olhos brilharam para a fala de um homem. Ele falava um italiano meio “abrasileirado” e com muita satisfação em um filme. “Oito e meio”. Bem, esse nome se perpetuou na minha memória. Sou atraída por nomes, principalmente de títulos de filmes e livros. E eis que escuto o nome “Federico Fellini!” Como soou bem aos meus ouvidos, me remeteu ao algo relativo a felinos e todo o enigma e mitos que cercam os bichanos dessa raça. Como eu queria ser um gato! Eles têm uma alma livre, não fazem amarras ao mundo, mas não que seja corretos todos os seus dotes. Porém a liberdade é berrante e fascinante para mim.
Após ver o “Oito de meio” com uma amiga, fiquei pasmada com a deslumbrante imagem, que é o principal foco do Fellini. Como uma figura pode arrepiar tanto. Eu sentia que elas falavam uma linguagem superior, algo quase perceptível para mim. Mas acho que o sentimento ainda está maior que a fala. Acho sentir tão simples e tão capaz de ser mais que as falas. 

Por esses dias longes eu...




Comi no Outback com Ariana.


Ariana endoideceu mais que eu com as promoções dos bonecos pelados.


Comprei roupas muito baratas.


Estive dentro de mil ônibus, vendo as mesmas e velhas paisagens.


Me despedi de mais uma grande pessoa, Aline, essa coisa gostosa ai do meu lado direito.


Me entreguei ao narcisismo.

Tenho mais coisas para contar, com o tempo as esbanjo por aqui. 

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