O mundo moderno é muito angustiante. A sensação da
falta de tempo e essa solidão humana sempre passam por minha mente. A semana já
começa a correr a partir de amanhã, e me pego pensando: o que fiz esse fim de
semana, meu Deus? - Me entreguei a cama, aos lençóis que cheiravam a um
bom amaciante e ao branco. AHH a cor branca! Quanta paz me traz! Quando eu
puder ter minha casa, ela vai ser por inteiro branca. Uma velha amiga da
graduação esteve na minha casa esse domingo, - para falar a verdade ainda está
aqui - veio me pedir ajuda para desenvolver um ante-projeto para a
monografia. Nossa! O quanto feliz fiquei ao adolescer minhas ideias em cima de
palavras. E não é que ela escolheu um tema que ando vivendo e tentando digerir
ultimamente. "A Máquina de Ser" do João Gilberto
Noll - ao ler esse livro há algum anos atrás, lembro bem que ele me
causou algo muito ruim, ele me desordenou, me arrancou a alegria e me deu uma
boa dose de tristeza e senso de realidade. Logo eu que adoro viver nos sonhos,
não é? E terminei de lê-lo e até desenvolvi um trabalho sobre ele. “A
Máquina de Ser” do João Gilberto Noll. Trazendo um sentimento de angústia e
inquietude nos leitores, Noll coloca no cenário, personagens sem nomes e sem
histórias completas. A maioria dos textos quase sempre termina com reticências
e pontos de interrogação, nos deixando à margem da resposta. Nada é uma
afirmativa, tudo é uma hipótese. Seres humanos são levados por contextos
efêmeros e não firmam certezas – o tempo muda com a velocidade da luz -,
causando assim várias possibilidades de “ser”. Temos um mundo engolido por
tecnologias, onde tudo é muito rápido, desde comidas que ficam prontas em três
minutos a cursos de línguas em seis meses. Publicidades tentam ao tempo todo
nos convencer sobre algo e logo depois um novo produto é lançado e já nos
perdemos sobre as certezas. O mundo está cheio de holofotes e não sabemos para
onde olhar, como olhar e não olhamos para nós mesmos. Estamos em busca de uma
identidade, a qual não encontramos frente ao fragmentário do mundo. O homem e a
máquina, palavras paradoxais que na modernidade já andam se misturando. A
busca abrupta pelo progresso transformou o homem em escravo da máquina até ela
ocupar quase, em definitivo e imperceptivelmente, todos os seus espaços. “Era
só acionar a máquina de ser, que tinha no meu corpo um intérprete.” – o homem
como máquina, a máquina de ser que não pode ser “governada” através das
relações humanas.
Pois é, eis que Noll me fez reavaliar o mundo? O que
mais quero do mundo é segurança e amor. Exatemente as essências que
andamos perdendo com a modernidade.








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