domingo, 26 de agosto de 2012

A Máquina de Ser

mundo moderno é muito angustiante. A sensação da falta de tempo e essa solidão humana sempre passam por minha mente. A semana já começa a correr a partir de amanhã, e me pego pensando: o que fiz esse fim de semana, meu Deus?  - Me entreguei a cama, aos lençóis que cheiravam a um bom amaciante e ao branco. AHH a cor branca! Quanta paz me traz! Quando eu puder ter minha casa, ela vai ser por inteiro branca. Uma velha amiga da graduação esteve na minha casa esse domingo, - para falar a verdade ainda está aqui  - veio me pedir ajuda para desenvolver um ante-projeto para a monografia. Nossa! O quanto feliz fiquei ao adolescer minhas ideias em cima de palavras. E não é que ela escolheu um tema que ando vivendo e tentando digerir ultimamente. "A Máquina de Ser" do João Gilberto Noll - ao ler esse livro há algum anos  atrás, lembro bem que ele me causou algo muito ruim, ele me desordenou, me arrancou a alegria e me deu uma boa dose de tristeza e senso de realidade. Logo eu que adoro viver nos sonhos, não é? E terminei de lê-lo e até desenvolvi um trabalho sobre ele. “A Máquina de Ser” do João Gilberto Noll. Trazendo um sentimento de angústia e inquietude nos leitores, Noll coloca no cenário, personagens sem nomes e sem histórias completas. A maioria dos textos quase sempre termina com reticências e pontos de interrogação, nos deixando à margem da resposta. Nada é uma afirmativa, tudo é uma hipótese. Seres humanos são levados por contextos efêmeros e não firmam certezas – o tempo muda com a velocidade da luz -, causando assim várias possibilidades de “ser”. Temos um mundo engolido por tecnologias, onde tudo é muito rápido, desde comidas que ficam prontas em três minutos a cursos de línguas em seis meses. Publicidades tentam ao tempo todo nos convencer sobre algo e logo depois um novo produto é lançado e já nos perdemos sobre as certezas. O mundo está cheio de holofotes e não sabemos para onde olhar, como olhar e não olhamos para nós mesmos. Estamos em busca de uma identidade, a qual não encontramos frente ao fragmentário do mundo. O homem e a máquina, palavras paradoxais que na modernidade já andam se misturando.  A busca abrupta pelo progresso transformou o homem em escravo da máquina até ela ocupar quase, em definitivo e imperceptivelmente, todos os seus espaços. “Era só acionar a máquina de ser, que tinha no meu corpo um intérprete.” – o homem como máquina, a máquina de ser que não pode ser “governada” através das relações humanas.
Pois é, eis que Noll me fez reavaliar o mundo? O que mais quero do mundo é segurança e amor. Exatemente as essências que andamos perdendo com a modernidade. 












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