Porque eu posso fazer de uma segunda feira algo bom, porque eu posso ir ao cinema, porque eu posso curtir as poltronas, porque eu posso. Raul - o início, o meio e o fim - minha eterna metamorfose ambulante. É um jeito de burlar o tempo que anda tão pesado comigo, é uma forma de doçar a vida, ela pode ser mais. Antes eu seguia o trilho do trem, agora ando escorrendo feito água. E como é bom me transformar em água, essa conotação cabe em sentidos amplos. Estou tento sensações paradoxais, salpiquei muita felicidade com um pouquinho de medo. Gosto de hipérboles e gosto de opostos. Acho que a física e a química, por mais que nunca tenha os entendido muito bem lecionalmente falando, tinham razão. Os opostos se atraem e se encaixam perfeitamente. Faço encontro de sorrisos, eles conversam e se entendem muito bem. Ultimamente ando pelo mar e pelo ares. Encontro no baixo não batem.
segunda-feira, 26 de março de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
Tarde Felliniana
As viagens marítimas são corriqueiras agora, está impossível se locomover pela terra. Existe um grande mar de veículos coloridos e berrantes. Da janela só vejo rostos cansados, vidros logrados pela respiração das pessoas, bocas abertas, pernas, pernas, pernas, mãos penduradas em cabos de ferro. Sento no chão quase sempre e tampos os ouvidos com um bom jazz. Minha grande recompensa esses dias se resume em: Fellini. Linda sua exposição. Uma companhia inacreditavelmente anatômica e um filme entre o bom e o inteligível. Ando cansada meus caros e sem muita inspiração, entrei em um estado de abstração. Quero a doce alienação para não me decepcionar e nem me ferir com o mundo. Há tanta coisa errada com ele. Me entrego então às artes e ao amor, a procura de algo que faça sentido.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Surrealismo convicto
O tempo está oscilando essa semana. Sensações térmicas altas regadas de chuvas fininhas, criam poças d'águas e trazem minha infância de volta, pulo feito amarelinha cada pequeno marzinho. Meu guarda-chuva não guarda chuva alguma, as gotículas de água me invadem. Atravessei uma baía no começo da manhã - poderia ser a maneira perfeita de começar o dia, se não houvesse tantas pessoas com só uma coisa em comum - trabalho. Criei novas maneiras para "ganhar recompensas" ao longo do dia, a minha tática do ônibus não está mais acontecendo. Fico mais de uma hora de meia em pé ou por cansaço em entrego ao chão. Minhas recompensas são os filmes, sim andei buscando - coisa de cinéfila convicta. Albert Nobbs. Posso me orgulhar do cinema moderno. Sentei na primeira fileira, não quero dividir a imagem com mais ninguém, quando se trata de filme eu sou um tanto egoísta. Outra maneira de "recompensa" é permitir que deliciosas guloseimas entre na minha vida. Confesso! Sou formiga, tanto no açúcar quanto no trabalho. Mudanças rápidas estão acontecendo e são bem vindas. Estou cansada, mas amanhã já é quinta e antecede a sexta, onde me entregarei ao Federico Fellini e sua "La nave va". Saindo da lógica para meu doce surrealismo felliniano.
Bolsa da feirinha em baixo da praça XV (: 10 reais
p.s.: Só para registro.
domingo, 4 de março de 2012
E
Acho que o carnaval se finalizou. Com ele não se foi nada, ele me presenteou, passou com um bloco e me fez balancear ao som de algo melhor que música. Para você que me lê e sei que está em algum lugar com um sorriso estampado no rosto, desculpe se não estive muito vivente em palavras. O mundo passou sob meus olhos vivos e nada anotei, algumas coisas se perderam, outras ficaram, outras eu já nem sei. Eu me aventurei por cidades ambíguas, caminhei com esperança nas costas, conheci pessoas, sim a pluralidade está existente em meu mundo. Mas me entreguei mesmo ao singular - uma pessoa -, entrelacei as mãos. Estava tão longe e tão perto. Lembro do seu sorriso no meio da multidão, acho que foi um encontro de sorrisos, porque ele também discorre sobre o meu. Nos encantamos então, uma gostosa reciprocidade. E agora só de sorrisos silenciosos ou em sonoplastia exacerbadamente alta vivemos. Os dois pares de pernas caminham adjacentes também, vamos em cinema mudos que berram arte e emoção ao nossos ouvidos. Quase caio com meu jeito atrapalhado, mas ele está ali ao contrário de mim estático e pronto a dar segurança, e eu a sinto e eu a respiro e eu a toco. E, e, e, mais um milhões de coisas, agora eu falo em plural, existe um ele. Sempre terá um "e", porque há sempre surpresas. E então, minhas mãos estão entrelaças, meus pés ganharam companhia, meu corpo anda coberto de grãos de areia. Não há maneiras para falar, felicidade é silenciosa sim.
Lindo (:
Cachorros do Itaú (:
fotografia indescritível (:
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