Fiz um caminho diferente para a volta. Elegi o mais longo só pelo prazer das minhas escolhas, porque eu só tenho poder cima das minhas opções e não as alheias. Sai do trabalho com o sol todo-todo no céu, peguei três ônibus até chegar em casa e ao passar por toda a cidade vim namorando as "janelas". Sempre quando passo por lugares que têm apartamentos, fico tentando enxergar por detrás dos vidro, me colocar no plano de dentro e imagino cada pedaço da minha casa. Olho todas as janelinhas à minha volta, por onde quer que eu ande - isso desde pequena, acho que herdei do meu pai, ele e sua vontade de ter um apartamento em Icaraí - e depois opto pela aquela que me fisgou. Não sei o porquê, mas vim com uma pessoa na cabeça. Quanto mais ia se aproximando de casa, mais o pensamento ficava forte. E não é que o encontrei com um sorriso pronto no rosto. Completamente diferente de um tempinho atrás e cheio de atenção. Demorei um pouco até tomar o rumo de casa, tentei resisti em falar pouco, mas como falar pouco com quem você conversava por horas a fio e sempre com vírgulas e vírgulas e nunca ponto final? Quando dei por mim as horas já não eram minhas amigas e ao adentrar em casa pensei o quão a vida surpreende. Ele era tão encantador e agora só espelho um menino. Estou mais paciente agora, acho que paciência é a palavra companhante do substantivo velho. Velho aprende a ser praticamente irmão da poderosa paciência. Penso tanto em você e isso para por ai. Passo seu, passo meu?
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Minhas viagens, só minhas
Só porque ninguém vai dormi meus sonhos, então eu vou. Ando mais feliz no mundo abstrato. Tenho sonhado tanto, vou dos sonhos mais mirabolantes aos desafiadores, aqueles que provocam alguém acordar feliz, porque no momento em que acordo uma realidade crua está já à porta me esperando. "As minhas famosas viagens de desbravadores." Ando como Colombo, Pedro Alvares Cabral, ando como os jesuítas, como bandeirantes. O cenário é diferente, mas a realidade a mesma. Tenho duas coisas para pontuar, de tanto falar em realidade, lembrei que tenho visto bastante TV esses dias. Eu tinha perdido a ideia de: qual foi o porquê que me fez parar de vê-la? Me recordei esses dias. Dentre tantas coisas o que mais me marca é a violência. Como me assusta, meu Deus! É de uma truculência suprema como mortes podem subir tanto o ibope. Estamos também é época eleitoral. [Pausa para uma respiração profunda e bem longa.] Carros com sonoplastias bem populares, placas e mais placas, papelzinhos a cada esquina e fazendo um mar imenso no chão de inutilidade e promessas. AH! Promessas. Bem, me broxa deveras! Tentando escapar um pouco do mundo, essa semana passei muito retraída e só. Andei passando os olhos por dvds, lembro das inúmeras vezes que visitei "sebos" de filmes. Posso sentir a felicidade que tinha em estar ao lado do meu pai, com os dedos sujos de poeira e sorrisos estampados quando achávamos aquela "pérola". SAUDADES. E numa dessas idas ao encontro dos filmes, és que vejo Marcelo Mastroianni rindo para mim. Achei o dvd do Federico Fellini em "Cidades das mulheres". Respirei e pensei: - alguma felicidade minha.
Estou querendo conversar, mas ao mesmo tempo não. Acho que esse fim de semana vou me entregar à cama e ao Fellini. Sinto falta de um tempo só meu e ao mesmo tempo sinto falta de alguém. Estou à procura de coisas passadas. Como se fosse dá certo o que já não deu, Deus perdoe meus pecados.
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