Caminhei passos lentos com certa respiração
ofegante. Pensei com meus botões: - Deus, tem certeza que ainda é terça?
Porque pesa com se fosse uma sexta? Passei o fim de semana entregue aos
lençóis, dormi o sono dos justos. E parece que quanto mais durmo, mais quero
dormir. Andei fazendo alguns encontros nos meus sonhos. Algumas coisas vão
permanecer para sempre lá, outras acho que num futuro próximo se realizam. Às
vezes tenho uma espécie de sexto sentido, sinto que algo vai acontecer, não sei
quando nem como, mas alguma coisa fala alto. Porém, partindo do
meu princípio paradoxal, algumas não tenho a menor certeza e venho no
ônibus alugando os bons ouvidos da minha amiga. Repito umas dez mil vezes: Será
que ele me liga? Será? Será? - Obrigada por me ouvir, imagino o quão
enfadonho deve ser te fazer ser tão redundante. Nós que conversamos tanto sobre
signos e ascendente e lua e la la la, entendemos bem o que é uma libriana com
ascendente em leão. Um tanto insegura e pedindo atenção. Às vezes penso o quão
pequeno é o mundo para mim, me sufoco e tusso palavras aos ventos curtos.
Ultimamente, ando catando coisas no passado para tentar remoer, tirar algo
viscoso dos bagaços. E isso porque tenho pressa do novo. Essa palavra: -
novo. Novo? Novo! Nooo - vooo. Causa algo em você? Essa palavra é como eu, pode
decepcionar, pode causar saudades do velho, pode ser estimulante, pode causar
medo, insônia... por fim depende. Novo, pode ser duas metades da maçã. Cada
parte igual, mas em sentidos opostos. Ela me remete à algo que vai causar
abalos ou arrependimentos. Na verdade, o novo se encaixa em tudo. Está presente
nas ondas do mar, que nunca são iguais as outras. Está na chuva, que nunca
chove exatamente 500 milhões de gotículas da água. Acho que ando um pouco
triste e por isso as palavras me invadem agora. Porque só na dor temos tempo
para olhar para nós. Que Deus me dê dias assim, quero levar o máximo de conhecimento
da vida. Mas uma sabedoria maior que quero é de mim mesma. Quero me conhecer,
te conhecer, quero entender a coisa humana. Como andei lendo num livro elegi
como um bom presente a alguém: "Aí estava o mar, a mais
ininteligível das existências não-humanas. E ali estava a mulher, de pé, o mais
ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fizera um dia uma pergunta
sobre si mesmo, tornara-se o mais ininteligível dos seres onde circulava
sangue. Ela e o mar."
Linda citação da Lispector. Me causa arrepios, e
para dizer a verdade, esse livro - Uma aprendizagem ou o livro
dos prazeres - me causou febres verídicas. Ulisses e Lóri. Ele
tentando ensinar vida para ela. Ela tentando não cair no abismo.
"De Ulisses
ela aprendera a ter coragem de ter fé – muita coragem, fé em quê? Na própria
fé, que a fé pode ser um grande susto, pode significar cair no abismo, Lóri
tinha medo de cair no abismo e segurava-se numa das mãos de Ulisses enquanto
a outra mão de Ulisses empurrava-a para o abismo - em breve ela teria que
soltar a mão menos forte do que a que a empurrava, e cair, a vida não é de se
brincar porque em pleno dia se morre. A mais premente necessidade de um ser
humano era tornar-se um ser Humano."
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Gostei muito do texto, e do look.:D
ResponderExcluirBeijos de uma paulista em Portugal.:D
Adorei o texto ....
ResponderExcluirLindo, lindo, lindo o look ... A cara do verão!!!
Bjs ♥
http://www.vintagefashion.com.br
Adorei o look!
ResponderExcluirBeijos
www.decaronanamoda.com
Sempre linda!
ResponderExcluirAdorei o texto.
bjs
Liz
descedoponei.blogspot.com