quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Ulisses e Lóri: NATUREZA

Caminhei passos lentos com certa respiração ofegante. Pensei com meus botões: -  Deus, tem certeza que ainda é terça? Porque pesa com se fosse uma sexta? Passei o fim de semana entregue aos lençóis, dormi o sono dos justos. E parece que quanto mais durmo, mais quero dormir. Andei fazendo alguns encontros nos meus sonhos. Algumas coisas vão permanecer para sempre lá, outras acho que num futuro próximo se realizam. Às vezes tenho uma espécie de sexto sentido, sinto que algo vai acontecer, não sei quando nem como, mas alguma coisa fala alto. Porém, partindo do meu princípio paradoxal, algumas não tenho a menor certeza e venho no ônibus alugando os bons ouvidos da minha amiga. Repito umas dez mil vezes: Será que ele me liga?  Será? Será? - Obrigada por me ouvir, imagino o quão enfadonho deve ser te fazer ser tão redundante. Nós que conversamos tanto sobre signos e ascendente e lua e la la la, entendemos bem o que é uma libriana com ascendente em leão. Um tanto insegura e pedindo atenção. Às vezes penso o quão pequeno é o mundo para mim, me sufoco e tusso palavras aos ventos curtos. Ultimamente, ando catando coisas no passado para tentar remoer, tirar algo viscoso dos bagaços. E isso porque tenho pressa do novo. Essa palavra:  - novo. Novo? Novo! Nooo - vooo. Causa algo em você? Essa palavra é como eu, pode decepcionar, pode causar saudades do velho, pode ser estimulante, pode causar medo, insônia... por fim depende. Novo, pode ser duas metades da maçã. Cada parte igual, mas em sentidos opostos. Ela me remete à algo que vai causar abalos ou arrependimentos. Na verdade, o novo se encaixa em tudo. Está presente nas ondas do mar, que nunca são iguais as outras. Está na chuva, que nunca chove exatamente 500 milhões de gotículas da água. Acho que ando um pouco triste e por isso as palavras me invadem agora. Porque só na dor temos tempo para olhar para nós. Que Deus me dê dias assim, quero levar o máximo de conhecimento da vida. Mas uma sabedoria maior que quero é de mim mesma. Quero me conhecer, te conhecer, quero entender a coisa humana. Como andei lendo num livro elegi como um bom presente a alguém: "Aí estava o mar, a mais ininteligível das existências não-humanas. E ali estava a mulher, de pé, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fizera um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornara-se o mais ininteligível dos seres onde circulava sangue. Ela e o mar."
Linda citação da Lispector. Me causa arrepios, e para dizer a verdade, esse livro  - Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres - me causou febres verídicas. Ulisses e Lóri. Ele tentando ensinar vida para ela. Ela tentando não cair no abismo.


"De Ulisses ela aprendera a ter coragem de ter fé – muita coragem, fé em quê? Na própria fé, que a fé pode ser um grande susto, pode significar cair no abismo, Lóri tinha medo de cair no abismo e segurava-se numa das mãos de Ulisses enquanto a outra mão de Ulisses empurrava-a para o abismo - em breve ela teria que soltar a mão menos forte do que a que a empurrava, e cair, a vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre. A mais premente necessidade de um ser humano era tornar-se um ser Humano."










4 comentários:

  1. Gostei muito do texto, e do look.:D
    Beijos de uma paulista em Portugal.:D

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  2. Adorei o texto ....
    Lindo, lindo, lindo o look ... A cara do verão!!!


    Bjs ♥
    http://www.vintagefashion.com.br

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  3. Adorei o look!
    Beijos

    www.decaronanamoda.com

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  4. Sempre linda!
    Adorei o texto.
    bjs
    Liz

    descedoponei.blogspot.com

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