"O faturamento nada mais que transformar papel em dinheiro". Tributário Contábil - intensivo Icms. Estou a procurar no google que significado se aplica a isso. Cada ver mais estou atrelada aos números e ao mundo dos negócios, estou a balbuciar as palavras do mundo financeiro, um linguajar próprio. Tenho medo de com o passar do tempo não consiga mais escolher as palavras, não ter assunto se não a carga tributária, os cnpjs, a aplicação, o icms, a transferência para o depósito fechado e blá blá blá. Mas fora desse mundo, eu ainda estou aqui a escrever na esperança de não deixar escapar as palavras e fazê-las minhas.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Meia luz
Enquanto a maioria das pessoas já habitam 2012, estou curtindo o dia 26 de dezembro. A chuva cai fininha lá fora e minha casa está vazia, só escuto o barulho dos meus dedos a encontrar as teclas e daí ir criando esse texto. A meia luz, que deixa tudo tão perfeito, cheirinho de pão com manteiga quentinho a exalar seu cheirinho e uma caneca vermelha com café. Estou com uma felicidade tão grande que passei o dia com sorrisos espontâneos, meio sem sentido, é uma felicidade que estou a detectar dentro de mim.
domingo, 25 de dezembro de 2011
Com o seu jazz
Acabei de acordar, dormi com a janela aberta, os ventos tímidos das noites de verão me circularam. O ventilador não foi requisitado esta noite. Dormi leve e com um sorriso acanhado fazendo moradia em meu rosto. Acordei com luz invadindo o quarto, iluminando os quatros cantos, em tamanho êxtase, dormi mais um pouco e me entreguei a pensamentos bons - aqueles que não foram possíveis terem durante a semana. Ontem recebi o melhor presente que poderia querer de natal, mas tenho até medo de dividi-lo. Porque este é um presente que não é palpável, segue assim pelas ondas sonoras só. É passível as mudanças de comportamento e pensamento, talvez nem seja mais meu presente daqui a um tempo. Tenho medo de falar e perdê-lo assim sem ao menos ter tocado. Senti-lo seria mais que um presente, esse patamar seria dádiva. Este presente me deu medo, calafrio, sorriso, choro - é assim, eu alcanço as duas pontas extremas de um sentimento com a presença dele. Passei algumas horas a trocar palavras e de palavras em palavras, criamos frases, que criaram uma história vivida. Em meus caminhos internos pude viver tudo cem, mil, milhões de vezes. Mas não importa. Eu ouvi, os tons vibraram em meus ouvidos, foram notas com o seu jazz. E eu os ouço até agora.
sábado, 24 de dezembro de 2011
E então o pequeno Alfie ...
Levei um tempo fora e de forma descontraída, com cookies e uma maratona de filmes. Esse climazinho natalino me lembra o filme Alfie - o sedutor. Só por se passar nessa época também, em nada de especial com o natal o filme tem. Mas confesso que foi um filme de final surpreendente onde comédia romântica com final dedusível não tinha nada. Alfie rodou por vezes e vezes no meu quarto. A personagem Nikki é desconcertante, seu senso de moda selvagem, fora de controle e uma espécie de Edie Sedgwick moderna.
E então o pequeno Alfie conseguiu o que mais queria de Natal.
Feliz Natal!
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Indas e vindas
Um clima amistoso e natalino ostenta as pessoas. Todos se abraçando, e gritando: Feliz Natal! Pessoas se aglomerando em lojas, fuçando araras de vestimentas, comprando, rindo, transformando shopping em vias de mão dupla - vai e vem, vai e vem. Aqui o pudim está a exalar seu perfume que passeia até minhas narinas e aguça meu paladar. Até amanhã cheiros vão se mesclar, minha vó chega para fazer o peru de natal. Crianças vão correr para lá, para cá. Nos noticiários e tema mais abordado é: pessoas ansiosas para verem seus familiares. Pessoas indo de um lado para outro em aeroportos e rodoviárias. Esses âmbitos são tão melancólicos eles carregam dores e separações. Sei que também deve ostentar sentimentos de felicidade, mas a partida sempre é "partida" (quebradiça). Depois de todo esse alvoroço - indas e vindas - eu anseio por um pouquinho de calmaria.
Festa de confraternização do Financeiro. Eu? Estava nos céus
Luzes.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Laço
Escrevi uma mensagem de texto assim: "Lembro de você, ai pensei, vou falar isso para ele. E aqui está o motivo da mensagem." Obtive resposta, então tomada pela coragem e certa vaidade, pus fim dizendo: Não deixa ao acaso, acho que ele anda um tanto distraído." Não foi um ato tão perspicaz, mas sentada sozinha em meio a um ônibus resolvi reatar laços antigos. Não que seja um laço, pois não é amor. Sempre sonhei com o
“Amor”, com letra maiúscula. Amor de Camões, espiritual, verdadeiro. Amor da
época das cantigas de amor, devoto, mas sem a coita. Que compele os seres
humanos a manter um laço. Como se eu fosse uma fita e você fosse outra, juntos
somos o laço. Mas não tenho elo com ninguém momentaneamente. Vivo caminhando sozinha, às vezes faço até o caminho mais longo só para ter o prazer das escolhas. E o mais inesperado é: eu não me fazia desse jeito. Depois de uns meses que na minha percepção se perduraram va-ga-ro-sa-men-te, se finalizou o processo dando origem a esse produto. Mas voltando a mensagem, sim esqueci de Camões e me entreguei ao Bandeira. Tem um poema dele que diz: "Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação. Não noutra alma. Só em Deus – ou fora do mundo. As almas são incomunicáveis. Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. Porque os corpos se entendem, mas as almas não."
Me entreguei.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
O que queres?
Fico tentando absorver a maturidade das percepções para colocar as minhas concepções por escrito. Mas às vezes as ideias veem e as palavras criam certo labirinto, sem muito léxico e sintaxe. Ando vivendo muito em muitas horas. Ando escutando coisas que desejo com muita veracidade que meus ouvidos fechassem as portas e dissessem: não! Ando anotando coisas horríveis num bloquinho, para não dizer em voz alta. Até andei pensando que um acontecimento em época natalina fosse um grande presente, mas cheguei a conclusão que o mas relevante no natal não é o presente, eles são apenas um bônus agradável. Mas se eles não são viventes, continuamos a existência sem ele, não precisamos dos mesmos para viver. Eu andei, andei, andei - andarilha.
Tenho doces lembrança que me fazem cogitar: Por que lembrança está relacionada diretamente ao pretérito?
AH o que não se pode tocar e tem ar saudosista faz doer de maneira feroz. Agora tenho dificuldades em me relacionar com o mundo, e fico me indagando: Mas será que eu quero?
Beijos queridos!
domingo, 18 de dezembro de 2011
A me chamar no portão
Eu tenho sérios problemas
em enfrentar mundo exterior. De acordo com a veracidade, sempre me senti bem
dentro do meu quarto. Vejo um universo infinito aqui dentro, tudo que preciso
está aqui - dvds, livros em especial da Clarice Lispector, minha cama, meia
luz, espelhos, música a la vonté, café – Sempre inventei quando criança brincadeiras que me acorrentavam cada vez mais no meu mundo. Me sentia bem, protegida com se ninguém pudesse me ferir. De forma também, me protegi de aventuras e possíveis amizades que por ventura estavam na rua a me chamar no portão. Poucas pessoas conseguem me raptar do
meu mundo paralelo, não que eu não goste de sair, sou paradoxal de forma
elevada. Quando saio quero consagrar cada segundo, amanhecer em algum lugar que
possa contemplar o sol nascer, quero beber e fazer minha mimesis. Eu escrevo
sobre tudo, registro tudo que acontece e engloba minha vida. Na esperança de
fazer perdurar meus pensamentos, ideias, sonhos. Só me renego minutar o amor,
esse deixo em segredo, porque dói e porque ele é invasivo para mim. Ele não
pede licença, se espaça com um tufão, remexe meus pensamentos, meus conceitos,
ixi! Esses estou reconstruindo. Peço a Deus em voz baixa para que controle meus
sonhos. A realidade eu possuo poder sobre, mas meus sonhos, esses não, esses são
incondicionalmente incoercíveis.
Passeie com Ariana e tiramos foto da comida na esperança que o sabor se perpetuasse.
sábado, 17 de dezembro de 2011
Traição a tradição
Estão marcando mais ou menos 34°C lá fora, o sol está brilhando e eu estou com uma caneca com café em minhas mãos. Como sou viciada em cafeína - penso eu sem querer cogitar sobre os malefícios que talvez o grau elevado dessa substância cause no meu organismo. Estou querendo aproveitar o sábado em minha doce companhia, o ventilador ligado sopra em meus ouvidos: fique aqui, fique ai doçura. Ontem fui numa dessas festas de fim de ano, mas com o cunho trabalhista. E como é árduo ter que lidar com pessoas que trabalham em sua companhia com uma dose de álcool e um relógio que parece os ponteios resolveram fazer greve. Temos que criar interstícios para escapar desses cenários, então ao término do ato festivo nada melhor que perambular pelas ruas do centro, encontrar um rosto amigo, assistir umas peças teatrais e começar encontrar em rostos alheios rostos amigos. Desse modo me entrego a uma peça chamada “A alma imoral”, depois de tanto escutar uma sonoplastia que leva as pessoas a rebolar até o chão, digo à minha amiga Clarice (personagem da peça): Eu prefiro a traição a tradição.
Boa tarde queridos leitores!
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Siso do juízo
Eu tive uma curta viagem ao dentista ontem, curta, mas que resultou em uma loooonga espera em casa. Dizem que o dente siso é o dente do juízo, eu o alcancei aos 17 anos e desde de então o juízo me importuna de tempos em tempos. Mas ontem eu disse adeus à dois. Fiquei meio "grogue" de quatro anestesias, porém tenho o dia em casa. Tempo para ler, escrever, ver meus filmes em escala preto e branco, tomar meu chocolate na minha caneca e sem números, cobranças, estresse, trânsito. Confesso, confesso que o melhor de hoje foi acordar em paz, sem pensar em nada exterior. Tudo vai se passar aqui dentro.
Que linda estampa de cobra em azul (:
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