quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Passo seu, passo meu.

Fiz um caminho diferente para a volta. Elegi o mais longo só pelo prazer das minhas escolhas, porque eu só tenho poder cima das minhas opções e não as alheias. Sai do trabalho com o sol todo-todo no céu, peguei três ônibus até chegar em casa e ao passar por toda a cidade vim namorando as "janelas". Sempre quando passo por lugares que têm apartamentos, fico tentando enxergar por detrás dos vidro, me colocar no plano de dentro e imagino cada pedaço da minha casa. Olho todas as janelinhas à minha volta, por onde quer que eu ande -  isso desde  pequena, acho que herdei do meu pai, ele e sua vontade de ter um apartamento em Icaraí - e depois opto pela aquela que me fisgou. Não sei o porquê, mas vim com uma pessoa na cabeça. Quanto mais ia se aproximando de casa, mais o pensamento ficava forte. E não é que o encontrei com um sorriso pronto no rosto. Completamente diferente de um tempinho atrás e cheio de atenção. Demorei um pouco até tomar o rumo de casa, tentei resisti em falar pouco, mas como falar pouco com quem você conversava por horas a fio e sempre com vírgulas e vírgulas e nunca ponto final? Quando dei por mim as horas já não eram minhas amigas e ao adentrar em casa pensei o quão a vida surpreende. Ele era tão encantador e agora só espelho um menino. Estou mais paciente agora, acho que paciência é a palavra companhante do substantivo velho. Velho aprende a ser praticamente irmão da poderosa paciência. Penso tanto em você e isso para por ai. Passo seu, passo meu? 







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