Esses tempinhos pré carnaval estão me contagiando de mansinho, mas como gotas de chuva de verão andam se intensificando em densos e fortes pingos. "Andar de moto, tentar raptar o sol para mim, me banhar em águas doces, ver minha avó, comer bolo e talvez me entregar a emoções maiores estão a me tentar." De qualquer forma, acho que fui convencida por mim mesma a fazer uma viagem nesse carnaval. Meus pulmões anseiam por ares novos, novos sotaques, novos pensamentos - novo - eis a questão chave para entender meu ser. Tenho uma tenebrosa repulsa por tudo que em demasia cai em algo corriqueiro. Vivo fazendo caminhos maiores, só para não ter uma sensação meio "O Show de Truman". Em viver todos os dias iguais, com as mesmas coisas, as mesmas e velhas sensações. Em contra mão, também do que é muito efusivo, de coisas que surgem sem uma raiz visível, tenho um certo medo e desprezo. Pensei tanto sobre mim ultimamente. Estou me entendendo - fugindo da ideia de que todos nós nascemos nos entendendo. Não! - afirmo como uma das únicas certezas da vida. Acho que gosto da segurança e talvez certas surpresas tirem ela de mim. Acho, e só acho mas me soa uma boa percepção. Surpresas, digamos envolventes, que se apresentam com certa e inexplicável segurança me levam fácil. Andei exercitando um leve e plumoso sim ultimamente. Novo, eu te quero.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Fim dos Hiatos
Uma felicidade incumbida. Até a matemática matematicamente matemática é incapaz de medir a felicidade. Meus dias passam voando, os caos externos anulam meus caos internos e ando descobrindo arte no que faço. Estampei um sorriso, descobri macete para pegar os ônibus e ter o conforto dos justos. Isso sim é ótimo! Passei mais de duas horas falando, sorrindo. Companhia. Cansei de hiatos, acho que é hora de ditongos e tritongos. É como escrever um texto, juntando, mesclando, combinando. Estou vendo uma outra vertente do mundo.
Agradeço a TODOS que leem e comentam.
Responderei TODOS logo, promessa.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
O Retorno
Todos nós precisamos de um momento nosso longe do mundo e todos seus pontos em comum. Abusei do isolamento esses dias. É uma mescla de bom e mal ao mesmo tempo - um mal necessário está só. Mas nesses últimos diazinhos estou a interagir com o próximo. Andei vencendo alguns medos, finalmente abri o facebook, minha famosa caixa de Pandora foi aberta e com ela saiu todas as pregas do mundo. Mas ainda sim guardo nela a esperança. Andei frequentando cinemas e comprando livros. Precisamos a falar sobre o Kevin - caiu como uma "bomba" ontem e fez meu mundo girar. Boa dica de cinema para quem quer se aventurar no mundo cinéfilo. A tela de cinema me engolia como uma onda, mas uma onda calma, em profunda maresia. Vou me entregar ao Fellini e suas imagens, deleite para os meus olhos.
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Tempo, tempo
Respiração profunda. Meus dedos correram sobre o teclado por todos esses dias longínquos da semana em busca de números. Estou tão consumida que não busquei palavras, passei essa semana tão longe do meu lar que me senti em demasia andarilha. Dormi mais em ônibus do que na minha cama. No momento encontro um tempo para cuidar do que eu gosto, escutando o barulhinho bom da chuva que cai lavando o mundo. Pinga, pinga na telha. Quero que o tempo tenha pena de mim e pare de se adiantar tanto, logo quando quero tempo para mim. Fragmentária em mil pedaços, anseio por tempo para mim e mais ninguém.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
O guardador de rebanhos
Me sinto fragmentada, esses dias se passaram sem dizer nem ao menos bom dia para mim. Correram feitos chuvas de verão e não se perpetuaram em minhas lembranças. Minhas coisas andam espalhadas a minha volta e concentração corre de mim, estou bem desconecta do mundo. Ocupei dias atrás na esperança de me sentir viva, assim bem perto da natureza, feito o Guardador de rebanhos do Pessoa, e não tão Charles Chaplin em Tempos Modernos. Acho que deu certo. Há tempos atrás também li:
"Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um." ( Fernando Pessoa)
Pessoa, eu te compreendi.
Beijos!
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Solidão acompanhada
Andava tão sozinha, solidão em tempo integral. Há muito tempo atrás desvendei que a solidão não era solitária, ela sempre nos deixa acompanhada de nós mesmos. E como eu odiava estar em minha companhia. Procurava por qualquer um que pudesse tirar o foco de mim. Está comigo era altamente tortuoso, não esteava a mim própria. Vivia em relacionamentos fugazes, aqueles os quais começam e ganham um ponto final, assim como colocar um pingo no "i". Perdurei um bom tempo com uma solidão acompanhada por mim. Pus fim os dias seguidos sem nenhuma iteração. Vozes, sorrisos, gestos são afagos bons. É meu primeiro passo, em breve dou outro. Ando tendo sorrisos espontâneos.
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
A velhinha
Quando era criança, eu entrava em colapso por um pirulito que voava ao passar nas mãos. Não me recordo o nome, mas eu era viciada. Não sei o porquê que um simples cabinho com uma hélice de plástico ofuscava tanto meu olhar. Eu vivia em uma quitanda de doces, na qual uma velhinha cheia de atenção e belos sorrisos me atendia. Eu entrava pelo balcão, escolhia balas, ela me deixava a vontade. Como adorava essa velhinha, nem ao menos o nome dela eu sabia, mas isso não era a essência dela. Os anos se passaram e hoje eu estava caminhando pelas ruas próximas a minha casa e pensei: AH aquela velhinha! Como era doce, deve ter morrido. Já estava em idade avançada. - e eis que vejo a velhinha. Meus olhos se arregalaram a procura de constatar o fato. Ela estava ali, congelada no tempo, como ela era quando eu estava no auge dos meus sete, oito anos. Minha infância estava diante dos meus olhos, passei por ela com um sorriso incontinente. Provavelmente, ela não me conheceu. E provavelmente, ela nem sabe, mas eu a amava quando criança.
Segunda-feira, comece com os sinais abertos.
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