sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Tempo, tempo

Respiração profunda. Meus dedos correram sobre o teclado por todos esses dias longínquos da semana em busca de números. Estou tão consumida que não busquei palavras, passei essa semana tão longe do meu lar que me senti em demasia andarilha. Dormi mais em ônibus do que na minha cama. No momento encontro um tempo para cuidar do que eu gosto, escutando o barulhinho bom da chuva que cai lavando o mundo. Pinga, pinga na telha. Quero que o tempo tenha pena de mim e pare de se adiantar tanto, logo quando quero tempo para mim. Fragmentária em mil pedaços, anseio por tempo para mim e mais ninguém.





terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O guardador de rebanhos

Me sinto fragmentada, esses dias se passaram sem dizer nem ao menos bom dia para mim. Correram feitos chuvas de verão e não se perpetuaram em minhas lembranças. Minhas coisas andam espalhadas a minha volta e concentração corre de mim, estou bem desconecta do mundo. Ocupei dias atrás na esperança de me sentir viva, assim bem perto da natureza, feito o Guardador de rebanhos do Pessoa, e não tão Charles Chaplin em Tempos Modernos. Acho que deu certo. Há tempos atrás também li:    
"Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um."  ( Fernando Pessoa) 
Pessoa, eu te compreendi. 












Beijos!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Solidão acompanhada

Andava tão sozinha, solidão em tempo integral. Há muito tempo atrás desvendei que a solidão não era solitária, ela sempre nos deixa acompanhada de nós mesmos. E como eu odiava estar em minha companhia. Procurava por qualquer um que pudesse tirar o foco de mim. Está comigo era altamente tortuoso, não esteava a mim própria. Vivia em relacionamentos fugazes, aqueles os quais começam e ganham um ponto final, assim como colocar um pingo no "i". Perdurei um bom tempo com uma solidão acompanhada por mim. Pus fim os dias seguidos sem nenhuma iteração. Vozes, sorrisos, gestos são afagos bons. É meu primeiro passo, em breve dou outro. Ando tendo sorrisos espontâneos. 



segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A velhinha

Quando era criança, eu entrava em colapso por um pirulito que voava ao passar nas mãos. Não me recordo o nome, mas eu era viciada. Não sei o porquê que um simples cabinho com uma hélice de plástico ofuscava  tanto meu olhar. Eu vivia em uma quitanda de doces, na qual uma velhinha cheia de atenção e belos sorrisos me atendia. Eu entrava pelo balcão, escolhia balas, ela me deixava a vontade. Como adorava essa velhinha, nem ao menos o nome dela eu sabia, mas isso não era a essência dela. Os anos se passaram e hoje eu estava caminhando pelas ruas próximas a minha casa e pensei: AH aquela velhinha! Como era doce, deve ter morrido. Já estava em idade avançada. - e eis que vejo a velhinha. Meus olhos se arregalaram a procura de constatar o fato. Ela estava ali, congelada no tempo, como ela era quando eu estava no auge dos meus sete, oito anos. Minha infância estava diante dos meus olhos, passei por ela com um sorriso incontinente. Provavelmente, ela não me conheceu. E provavelmente, ela nem sabe, mas eu a amava quando criança. 





Segunda-feira, comece com os sinais abertos. 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Minhas palavras condiscípulas

O que eu estou fazendo aqui? - me pergunto. Entre palavras tão sincronizadas e coisas particulares, do qual não compartilho. Assuntos que não participei e desconheço o linguajar, mas já estou aqui. Meio a parte no mundo, de um mundo particular, onde cogito que ninguém se integra. Dormi, acordei, olhei para a janela inquieta. Pensei, pensei - Deus o que faço aqui? Tentei me entregar ao sono, ele sempre é bem vindo na minha nova rotina. Agora já é tarde, tão tarde que não é possível se locomover ou se arriscar pelas desventuras do mundo exterior. Então crio meu universo escrevendo, sempre escrevi, as palavras me consumem e o que se torna vivente, sempre - sempre - são escritas por mim. Uma forma de jamais esquecer. Estou de costas para o que acontece e as palavras saem, saem ... em um fluxo muito grande.  Sempre tão condiscípulas. Não precisa ver muito, ver é ter a percepção do que eu sou. Estranha - palavra certa. Mas na minha estranheza sou feliz, gosto de está sozinha ao encontro das palavras. As palavras são a melhor companhia, representa milhões de coisas, dentre as quais registrar o momento para não esquecer, libertar meus pensamentos e me encontrar. Solto um sorriso meio contido, mas muito satisfatório. Pausa. Olhei pela janela e vi. Estou a procura dos meus sapatos, estou a ir embora.




quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Eu nomeio

Só mais uma - sempre falo para mim. Sou viciada em balas de coco, aquelas de festa que derretem na boca, mas que de coco não têm nada. Eu nomeio: 'balas de açúcar". Agora mesmo estou me entregando ao êxtase que tamanha coisa doce provoca aos meus hormônios. E não é que perdurei o dia bem e tranquila? Chistoso, como meus dias foram tomados de energia e luz ultimamente. Acordo feliz e ainda vou dormir com certo sorrisinho de satisfação. Melancolia não é algo vivente. 
Os segundos viraram minutos, que viraram horas, que viraram dias, que viraram semanas, meses, um ano.  Me recordo perfeitamente do meu 12 de janeiro do ano passado. Lembrar dói, não ter a presença de alguém é como fome. Tenho fome, preciso comer a presença. 









Nanda a saia laranja graças à você e suas inspirações.
Obrigada pelas visitas a TODAS! São significativas.



♥

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O corpo pode falar

Tenho uma nova companhia que anda me agradando muito. Ela se comunica por gestos e seu silêncio é doce. A língua de sinais anda sendo ferramenta vital. Como o corpo pode falar tanto? - fico me indagando o dia todo.  E não é que um certo desencanto pelas letras se instalou ultimamente? Respeitaremos as fases. 







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